Cunha Rivara, historiador Arraiolense,
na sua obra “Memórias da Vila de Arraiolos”, depois de se
referir à nobreza e antiguidade de Arraiolos, bem como a alguns
aspetos históricos da sua origem, afirma: “... seja como for,
tenho por certo que em princípios do século XIII já havia povoação
no sítio de Arraiolos...”
Certo é também que a abundância de
vestígios relacionáveis com o final do Neolítico ou mesmo com o
calcolítico são um sinal de uma significativa ocupação humana a
partir do IV Milénio A.C. e, provavelmente, “na proto-História, o
grande local de habitat corresponderia já à atual elevação onde
se localiza o Castelo de Arraiolos".
É ainda Cunha Rivara que nos
transmite as referências do padre António de Carvalho da Costa, na
Corographia Portugueza (tomo 2.º Pág 525) e do Padre Luís
Cardoso no Diccionario Geographico (tomo 1º pág. 590) onde
atribuem a fundação de Arraiolos a Sabinos, Tusculanos e Albanos,
ocupantes que foram da cidade de Évora antes de Sertório e
deram o governo de Arraiolos ao capitão Rayeo, nome grego.
Porém, é em 1217 com a
concessão do termo de Arraiolos pelo rei D. Afonso II, ao Bispo de
Évora D. Soeiro e ao cabido da Sé da mesma cidade, que se
inicia um novo capitulo da nossa história.
Em 1290, Arraiolos recebe o 1º
Foral, de D. Dinis, e o mesmo monarca manda edificar o Castelo em
1305, sendo que no dia 26 de Dezembro de 1305 o Concelho
representado por João Anes e Martim Fernandes, outorgou com o Rei o
contrato para a sua feitura.
Arraiolos foi condado de D. Nuno
Álvares Pereira - 2º conde de Arraiolos - a partir do ano de 1387.
Antes de recolher ao Convento do Carmo em Lisboa, o Condestável do
reino, permaneceu aqui longos períodos da sua vida.
Em 1511,
Arraiolos recebeu Foral Novo de D. Manuel.
Ao longo dos anos
foram muitas as alterações do seu território, tendo limites
administrativos definidos a partir de 1736, sofreu, entretanto,
várias alterações:
- Inclusão no distrito de Évora (1835) ;
Anexação do concelho de Vimieiro (1855) ; Anexação do concelho de
Mora (1895) ; desanexação do concelho de Mora (1898).
ARRAIOLOS TERRA DOS TAPETES
é ainda os séculos de história bordados à mão por gerações
e gerações de bordadeiras que fizeram chegar até aos nossos dias o
nosso mais genuíno artesanato o “Tapete de Arraiolos”.
A referência escrita mais antiga que
até hoje é conhecida está no inventário de Catarina Rodrigues,
mulher de João Lourenço, lavrador e morador na herdade de Bolelos,
termo de Arraiolos, onde, pelo ano de 1598, é descrita a existência
de hum tapete da tera novo avalliado em dous mill Reis.
Certo é ainda que as
escavações arqueológicas realizadas na Praça Lima e Brito no
inicio do Séc. XXI, sob a responsabilidade da Arqueóloga Ana
Gonçalves, sem prejuízo de uma investigação mais pormenorizada,
induzem o inicio da produção de tapetes em Arraiolos para uma fase
anterior ao Séc. XV.
O concelho, a par da riqueza da
sua paisagem, é detentor de um vasto património edificado que a
Câmara Municipal tem procurado preservar e valorizar.