Monumento à Tapeteira

O Monumento à Tapeteira foi inaugurado no dia 23 de Dezembro/2001, com toda a importância histórica que releva do artesanato a que Arraiolos deu o seu próprio nome.

O Monumento é da autoria de Armando Alves.


A mais antiga referência a “hum tapete da tera novo avalliado em dous mill Reis” , tapete feito na vila e referenciado no inventário de Catarina Rodrigues, mulher de João Lourenço, lavrador e morador na herdade de Bolelos, é de 1598 (Dr. Jorge Fonseca – Inventário Municipal).


Na sua investigação, o Dr. Jorge Fonseca encontrou ainda outra referência, em 1608, no inventário de Juliana Dordio, mulher de Belchior Meirinho, moradora em Arraiolos, na Rua da Cruz, onde entre os bens do casal aparece “hum tapete por acabar avalliado em mil Reis” e mais à frente “huns pouquos de novellos de fiado de lam pera tapete de cores avalliados em tressentos Reis”. Podemos admitir fortemente a hipótese de a bordadeira ser a própria Juliana Dordio, que a morte surpreendeu na realização da sua obra. Será, então, Juliana Dordio a mais antiga bordadeira de Arraiolos cujo nome chegou até nós?


São séculos de história, gerações e gerações de bordadeiras que fizeram chegar até aos nossos dias o património inestimável que são os Tapetes de Arraiolos.


Foram as tapeteiras que “pacientemente dominaram os motivos de pássaros, flores, medalhões, palmetas e barras geométricas, desenvolvendo uma arte decorativa por excelência, que se instalou no quotidiano das populações. Os tapetes estão intimamente ligados ao modo de vida e à sociabilidade de Arraiolos proporcionando momentos únicos de familiaridade: é ver os grupos de mulheres sentadas à sombra das casas e dos muros, nos dias longos e luminosos, bordando pacientemente os tapetes que depois se instalam no interior das habitações. As tapeteiras são, ainda hoje, o alicerce de um circuito cultural que liga a casa à rua, Arraiolos e o resto do mundo. Homenageá-las através de um monumento com estas características, corresponde a um ato que só pode reforçar a identidade desta terra e dos seu valores mais expressivos.”(1)


O Monumento integra um mosaico sugerindo um tapete de Arraiolos e um painel cerâmico alusivo ao labor das tapeteiras. Na parte de trás, nos dois planos inclinados podemos ver um baixo relevo sugerindo as colinas de Arraiolos encimados pelo castelo. Na base destes planos aparece-nos um espelho de água com iluminação e um pequeno repuxo.


O autor do Monumento, Armando Alves, nasceu em Estremoz no ano de 1935, fez o Curso de Preparação às Belas Artes na Escola de Artes Decorativas António Arrio em Lisboa.


Armando Alves completou o Curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde foi professor assistente de 1962 a 1963.


Armando Alves, pintor Alentejano, tal como o Arraiolense Dordio Gomes, fixou-se no Porto onde desenvolve a sua atividade artística, sendo a sua obra exposta frequentemente no país e no Estrangeiro.





(1)Memória descritiva do Monumento da autoria de Armando Alves.